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Trocar de fornecedor de TI no meio de uma operação é caro, arriscado e, na maioria das vezes, evitável. A escolha costuma ser feita sob pressão — um incidente, um contrato vencendo, uma indicação de última hora — e decisões assim raramente consideram o que realmente importa no longo prazo.

O problema não aparece no primeiro mês. Aparece seis meses depois, quando um servidor cai numa sexta à noite e ninguém atende, ou quando você descobre que "suporte incluso" na verdade cobra por hora. Este checklist existe pra você descobrir isso antes de assinar, não depois.

Por que a escolha errada custa tão caro

Trocar de fornecedor de TI não é como trocar de fornecedor de papel A4. Envolve migração de sistemas, transferência de conhecimento, possível período de instabilidade e, quase sempre, um contrato de fidelidade que trava sua empresa por 12 ou 24 meses com quem não está entregando.

Enquanto isso, o custo real — incidentes não resolvidos, dados vulneráveis, equipe parada esperando suporte — segue se acumulando silenciosamente, sem aparecer em nenhuma nota fiscal.

As 10 perguntas antes de assinar contrato

Faça essas perguntas na reunião comercial, antes de qualquer proposta. A forma como o fornecedor responde diz tanto quanto o conteúdo da resposta.

  1. Qual é o SLA (tempo de resposta e resolução) por criticidade de chamado? "Respondemos rápido" não é resposta — peça o número em horas, por escrito, para incidentes críticos e não-críticos.
  2. O suporte é 24/7 ou só em horário comercial? Se sua empresa opera fora do horário comercial (e-commerce, indústria em turnos), suporte 9h-18h pode deixar você exposto justamente quando mais precisa.
  3. Quantos clientes cada técnico atende, em média? Fornecedores que aceitam clientes demais por técnico viram "suporte" em fila de espera. Não existe número certo, mas se não sabem responder, é sinal de alerta.
  4. Como funciona o backup — e com que frequência é testado? Todo fornecedor diz que faz backup. Poucos testam a restauração de verdade. Pergunte quando foi o último teste de restauração documentado.
  5. O que está incluso no valor mensal e o que é cobrado à parte? "Suporte gerenciado" que cobra hora extra pra qualquer chamado fora do trivial não é gerenciado — é hora técnica disfarçada de plano.
  6. Existe um ponto de contato dedicado, ou cai numa fila genérica? Empresas que crescem precisam de alguém que conhece o histórico da conta, não recomeçar a explicação do zero a cada chamado.
  7. Como funciona a transição se eu quiser trocar de fornecedor no futuro? Pergunte isso antes de assinar. Se a resposta for vaga ou defensiva, o contrato provavelmente vai dificultar sua saída.
  8. Quais certificações e normas de segurança eles seguem? ISO 27001, controles de acesso documentados, política de senha — fornecedores sérios têm isso formalizado, não "confia em nós".
  9. Posso falar com 2-3 clientes atuais, de porte parecido com o meu? Referências reais, não estudo de caso no site. Se hesitarem em fornecer, pergunte por quê.
  10. Como vocês relatam problemas e métricas — existe relatório mensal? Sem visibilidade do que está acontecendo na sua infraestrutura, você está operando às cegas, só descobrindo problemas quando eles já viraram incidente.

Nenhuma resposta isolada deveria ser motivo pra descartar um fornecedor — mas um padrão de respostas vagas, defensivas ou "vamos verificar e te falamos" em várias dessas perguntas é o sinal mais confiável de como vai ser o suporte no dia a dia.

Sinais de alerta nas respostas

Além das respostas em si, preste atenção em como elas são dadas:

  • Promessas sem números — "atendimento rápido", "suporte de qualidade", sem SLA em horas por escrito.
  • Contrato de fidelidade longo com multa alta de rescisão — fornecedores confiantes na própria entrega não precisam prender o cliente por medo de perdê-lo.
  • Relutância em fornecer referências de clientes — se o trabalho é bom, isso não deveria ser um problema.
  • Proposta genérica, sem menção às particularidades da sua empresa — sinal de que vão tratar sua operação como mais uma no lote.

Por onde começar

Se você já tem um fornecedor de TI hoje, vale rodar esse mesmo checklist com ele — muita empresa descobre, ao revisitar essas perguntas, que está pagando por um "suporte gerenciado" que na prática não gerencia nada. Não é sobre desconfiar de todo fornecedor, é sobre entrar em qualquer negociação com clareza do que perguntar antes de comprometer sua operação por mais um ano.

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